RENATO DA SILVA COSTA

Renato nasceu em Novembro de 1985, nos deixando em Abril de 1994.

Estava voltando da escola quando perto de casa foi atropelado.

Fiz esta página em homenagem a ele, não foi para sensibilizar ninguém,

foi só uma necessidade de jogar para fora uma angústia

guardada bem no fundo do coração.

Agradecemos a Deus termos podido conviver com um Anjo mesmo

que por pouco tempo, orgulhamo-nos.

 

Até um dia filho

Querido Filho

Palavras, tenho-as todas na ponta da língua, prontas para dizê-las uma

a uma a quem precisar, mas quando tento confortar meu coração,

posso procurá-las em um milhão, que não encontro uma explicação do que sinto,

de como agir, de como continuar.

Sinto a mão de Deus em todo lugar, onde ando, onde olho, onde espero a paz brotar,

sinto que Ele quer me mostrar o caminho, como trilhar com tanto peso ?

Vejo na chuva de meus olhos a saudade, o amor, a dor,

a dor do homem que não sentiu-a no parto, mas que agora em dobro ou triplo

a sente no adeus que modifica, turva e amarga o Eu.

Trago no peito o não sei o que, será que um dia ? e porque ?

Trago no peito a esperança que dói enquanto não chega.

Trago na lembrança a pegada de amor, de fé, carinho e muita saudade.

Vida, morte, um fio que arrebenta e que leva para longe e para o alto

aquela pipa bem feita, linda, e eu, como criança, sem entender,

choro na esperança de que um dia a consiga recuperar, trazê-la de volta,

junto a mim. Trago no coração, talvez a certeza de que foi

a mão de Deus, o combinado,

que destino malvado que leva daquele o pedaço gostoso e deixa o salgado;

É o aprendizado.

Sobe para o céu, pipa, e leva um recado, diz ao Criador que estamos do seu lado,

aguardando a nossa vez .

Enrolo a minha linha e aguardo .

Tenho a vida me esperando, não sei se hoje ou amanhã,

enquanto isso vou te procurando,

quem sabe eu a encontro no lugar menos esperado,

aí então descobriremos porque

a linha arrebentou ? me deixando sem ação, chorando .

A lembrança é bonita e calorosa, mas traz um vazio tão grande .

Quero acreditar, e acredito que foi a hora, mas dói , dói demais .

Sei que Deus não me esqueceu, sei me dará força e paz, espero confiante

 

                                                                                   Seu pai

 

                                                                    Mairiporã, 26 de maio de 1994.